Estranho entre estranhos
vagueio sem rumo pela cidade
Ninguém me conhece não conheço ninguém
E, contudo, algo me liga a esta gente que desliza
de rosto cerrado perseguindo a sombra
de um destino que lhe escapa.
Olho-me nesses rostos
nocturnos que descem as avenidas
e vejo-me sozinho
estranho entre estranhos
no meio da solidão
que desliza anónima até ao rio
e se afoga no mar
sem memória e sem remédio.
A guitarra que grita desafinada
no beco adormecido assalta-me o peito
indefeso e nele deposita a sombra
dos dias de cinza em que me vejo
estranho entre estranhos
vagueando pela cidade sem rumo e sem destino.
(Será apenas a mim que esta angústia
atormenta como a chuva miudinha
que me molha sem piedade debaixo do guarda-chuva?)
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
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